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Vinícius Rangel: repórter fala dos desafios de fazer jornalismo no interior, revolução da internet, Coronavírus e mais

Vinícius Rangel (Capa)
Imagem: Redes Sociais/Reprodução
Vinícius Rangel (Capa)

Imagem: Redes Sociais/Reprodução

Um dos principais compromissos do João Biott é apostar em diversidade. Seja de pensamento, de gênero, de raça, de orientação sexual, de posicionamento geográfico e de classe social. Acreditamos que, de fato, quanto mais diferentes formos, mais comprometidos estaremos na busca da igualdade e da justiça social.

É por isso que entramos em contato com o jornalista Vinícius Rangel (@viniciusrangeltv), que tem se destacado nas suas coberturas em Vitória e região metropolitana, para o Estadão e UOL, assim como correspondente da TV Centro América, afiliada da Globo em Mato Grosso, que cobria Tangará da Serra até o último mês de março.

Quais os desafios em ser jornalista em regiões pouco conhecidas? Os ataques populistas contra a imprensa lá em Brasília produzem algum efeito no interior? E o jornalismo, será que sairá mais forte da pandemia do novo Coronavírus? Tudo isso e muito mais numa conversa deliciosa com o Vinícius Rangel.

Vinícius Rangel

Imagem: Redes Sociais/Reprodução

1) Para aqueles que ainda não te conhecem, conta pra gente um pouquinho da sua história.

Sou Vinícius Rangel do Nascimento (e há dois anos) Rocha. O porque do novo sobrenome? Vou resumir em: encontrei meu pai depois de 20 anos de busca e achei uma grande família. Fui registrado no nome dele e ganhei uma nova certidão de nascimento.

Sou natural de Guarapari, no Espírito Santo. Cidade turística e litorânea. Vale a pena conhecer para quem gosta de praia e gente receptiva. Comecei no jornalismo em 2011, formei em 2015. Mas só colei grau em 2017. Desde 2011 eu já estagiava na área. Passei por 10 empresas. Entre TV, Site e Assessoria.

Meu primeiro emprego de carteira assinada foi em 2016 na TV Tribuna/SBT. Mas antes de formar e ter a carteira assinada, eu era correspondente do Jornal A Tribuna em três municípios do sul do Estado. Então esse foi o meu primeiro emprego, real e oficial.

Na TV Tribuna eu fiquei três anos. Ganhei um premio nacional de jornalismo. Emplaquei matérias para o SBT Brasil (maior audiência do SBT) e diariamente eu estava no Primeiro Impacto e no extinto SBT Notícias na madrugada e manhã.

Até que em setembro do ano passado descido ir para Tangará da Serra, interior de Mato Grosso trabalhar na TV Centro América, afiliada da Rede Globo. Fiquei seis meses e agora entrei em novo desafio. Fazer jornalismo de TV na Internet.

2) Qual diferença entre fazer jornalismo na cidade grande e jornalismo no interior?

Eu sai do cenário estadual e fui para o local. A grande diferença é essa e você tem que aprender toda uma cultura e os costumes de uma cidade de menos de 200 mil habitantes. O impacto foi grande, principalmente pelo clima e estilos de matérias. Em Vitória, eu fazia muita reportagem policial. Em Tangará eu tinha que fazer muito rural, que por incrível que pareça, era uma paixão na surdina que veio à tona. Realizei um sonho: fiz meu primeiro Globo Rural. Foi mágico.

3) Quais os maiores desafios que a pandemia do novo Coronavírus impôs no seu dia a dia de jornalista?

Primeiro usar máscara. Eu sou asmático, mas sem crises desde criança, já tenho dificuldade de respirar, com o equipamento piorou mais ainda. Além disso usar álcool em gel nas mãos e também nos equipamentos. Tem sempre uma rotina antes de sair para cada reportagem. Além de revisar os equipamentos, temos que lembrar da máscara. Virou um item necessário. Além disso as entrevistas distantes. Sem abraçar e beijar as pessoas (capixaba adora cumprimentar assim).

Imagem: Redes Sociais/Reprodução

4) Me fala da sua ‘dieta de mídia’. O que você lê, o que assiste?

Tenho pecado por não tem lido nada esse ano ainda. Péssimo jornalista né?! (Não sigam o meu exemplo, por favor) Mas tenho buscado muitos materiais na internet. Sites que possam me oferecer um cenário para eu pensar em pautas para o público da internet. No @PlayAgoraBR temos uma missão diária de se desvincular um pouco da TV e pensar em pautas mas voltadas para os internautas. Temos dois jornais diários apresentados pela Marina Martins, que conheci na TVCA ano passado. Além disso existem programas de entrevistas, debates, dicas de ajuda em Cuiabá, música, culinária e humor. Fugi do assunto, mas eu volto. Gosto de ver muita TV, sou apaixonado. Vou do Bom Dia Brasil, ao Jornal do SBT. CNN também entra na jogada.

5) Liberdade de imprensa é um dos pilares de qualquer democracia. Mas esta em constante ameaça. Você já sentiu medo de fazer uma entrada ao vivo com receio de ser atacado?

Na TV Centro América eu fazia boa parte dos links para o Bom Dia Mato Grosso. Então era num horário que quase não tinha gente na rua. 5h da manhã hahahahaha. Porém durante as reportagens a gente se sentia ameaçado pela grosseria das pessoas. A arrogância de como éramos tratados. É só dizer que não quer se entrevistado, tudo bem. Agora no PlayAgora fui atacado mês passado por uma moradora de rua, durante a gravação de um boletim (ou StandUp como chamamos em Vitória). Ela lançou uma pedra e me deu um soco porque não gostou da notícia que estávamos dando. Na TV Tribuna eu já perdi as contas de quantas vezes fomos ameaçados e expulsos dos bairros. Já fui ameaçado com arma de fogo, faca e a velha intimidação.

6) Como o Vinicius Rangel se vê daqui a dez anos?

Eu me vejo de verdade ocupando um cargo que eu sempre sonhei. Muita gente gosta de uma bancada né? Apresentar jornal. Eu já gosto da rua. Vou revelar em primeira mão. Tenho sonho de virar repórter de rede. Isso só quem sabe mesmo é a minha ex chefe do SBT Janine Jordaim. Ela sempre me deu força para continuar seguindo o meu sonho. Eu tenho muita vontade de ser o rostinho redondo que o Brasil conhece rs. No SBT eu já estava cavando esse espaço, mas quis o destino me mudar de Estado. Mas quero estar apresentando também. Mas sendo repórter de rede de um canal de TV, seja no Espírito Santo ou em outro Estado.

7) Qual cobertura mais te marcou e porque?

Foi o caso Kauã e Joaquim. Esse caso foi em 2018 em Linhares do no Espírito Santo. Os dois irmãos pequenos foram abusados, agredidos e mortos em um incêndio criminosos dentro da própria casa. O autor desses crimes foi o Pai/Padrasto que era pastor de uma igreja evangélica. Foi um caso muito difícil. Cobrimos todos os detalhes. Eu fui inclusive até a residência que tudo aconteceu. De início o suspeito chegou a dizer que não sabia o que tinha acontecido. Chegou a chorar dizendo que ouviu o filho pedir socorro e não conseguiu salvar ele. Depois um trabalho incrível da Polícia Civil capixaba mostrou que era mentira. Que a farsa dele foi descoberta. A mulher dele e mãe das crianças foi conivente com a situação. Foi muito triste.

Imagem: Redes Sociais/Reprodução

8) Jornalismo sairá mais forte ou mais fraco da pandemia?

Eu acho que ele vai sair com mais responsabilidade ainda. O jornalismo é o pilar da democracia. Sem jornalismo não existe a democracia, porque os jornalistas são os únicos que dão voz àqueles que tão pouco são ouvidos. Sairemos mais fortes.

9) Quais suas maiores inspirações para ser jornalista?

Eu sou fã de carteirinha de alguns jornalistas. Desde o local, como Mário Bonela (TV Globo/ES) e Janine Jordaim (SBT/ES) até os nacionais como Júlio Mosquera (TV Globo/BSB), Tiago Nolasco (Record TV/BSB) e o Darlison Dutra (SBT/SP).

10) Imagine que temos um jovem lendo essa sua entrevista que sonha em ser jornalista, qual conselho você daria pra ele?

Corra atrás do seu sonho. É o que você gosta? Se joga, vai atrás. Eu não cheguei aqui sentado esperando. Na minha época de faculdade (UVV) e estágio eu saía de Guarapari às 4h30, chegava na faculdade as 7h, pegava um ônibus para o terminal de Vila Velha, de lá pegava outro coletivo para Goiabeira, almoçava e ia para a TV Capixaba/Band-ES. Na volta eu pegava, um, dois, três, quatro e cinco ônibus para chegar em casa as 21h30 para começar de novo a rotina no outro dia. Fácil? Nunca foi. Mas a gente não desiste. Siga o seu sonho. Corra atrás e não esquece que seu esforço é quem faz você ser quem você quer ser. Contudo. Por isso. Assim. Sendo assim. Contudo. Por isso. Assim. Sendo assim. 

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