Imagem: Instagram/Reprodução

É bastante possível que você já tenha ouvido falar em Luan Poffo. Contudo, é bastante possível também que não sabe exatamente quem é o influenciador digital. Quando será que ele deu o primeiro beijo? E os livros que ele gosta? Qual viagem inesquecível?

Sabendo disso, e do seu recém lançado TEDx Talks sobre ‘o outro lado da cultura do cancelamento‘, decidimos convida-lo para uma conversa especial com a proposta de ir além da superfície e ser o mais pessoal possível.

Abaixo vocês conferem o resultado dessa conversa, não esquecendo de lembrar de seguir o Luan nas suas redes sociais: Twitter, Instagram, Facebook, YouTube e TikTok.

1º. – Como eu acredito que ainda há pessoas que não te conhecem, ou não tem o prazer de lhe seguir, peço que aproveite esse momento para contar uma breve síntese da sua vida, assim como da sua carreira até aqui.

Eu tenho 23 anos, sou formado em jornalismo e trabalho há cerca de sete anos como criador de conteúdo na internet, tanto no YouTube como no Instagram.

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2º. – Você é um influenciador digital de vários segmentos, dentre eles o de viagens. Seu canal no YouTube é um fenômeno. Dada toda sua experiência e entendimento sobre o setor, como vê uma recuperação? Fala-se em quatro ou cinco até que possamos falar em recuperação para toda a indústria do turismo.

Veja bem, eu acredito que a gente vai realmente começar a voltar a caminhar profissionalmente assim quando a vacina sair. Hoje está bem avançada, tanto que há previsões de que até o final do ano ela esteja disponível.

Então eu acredito que ainda neste ano a gente ainda consiga retomar o ritmo, tanto para viagens tanto para festas. Tudo vai depender do quanto tempo vai demorar para vacina chegar no Brasil. Muito diferente da Europa, que as coisas já estão já estão mais ou menos sendo retomadas.

3º. – Recentemente, você começou a dar mais atenção ao seu Instagram com comentários sobre as notícias do dia. Você passa por política, sociedade e, claro, entretenimento. É um formato que você pretende continuar investindo ou é algo temporário enquanto durar a pandemia?

Não é algo que eu pretendo investir. Acredito que a pandemia fez com que crescesse a popularidade daqueles que trazem informações e reforçam valores. A pandemia fez com que parássemos de investir e dar atenção em coisas fúteis para focar em situações mais simples e importantes presentes no nosso dia-a-dia. Então falar de notícia inclusive é importante também né?

4º. – Balneário Camboriú tem um prefeito que, antes mesmo do presidente Bolsonaro assumir, já conduzia o executivo municipal com políticas que atacavam os direitos LGBTQIA+, tanto que o Ministério Público teve que entrar na justiça para que a parada da diversidade pudesse acontecer na Av. Atlântica, principal da cidade. Como você analisa essa situação sendo gay e morador?

Cara, é complicado porque é Santa Catarina é um estado bem conservador. Balneário Camboriú também. Então eu acredito que cada vez mais a gente tem que se posicionar. A gente tem que usar das redes sociais, que é o que temos ao nosso favor como uma arma mesmo, para reivindicar os nossos direitos, inclusive lá em Balneário Camboriú.

E a gente não pode deixar que essa onda conservadora limite o nosso exercício de cidadania que é ser gay, ser trans e ser travesti. Então eu acho que é cada vez mais importante que nós nos posicionemos a favor dos nossos direitos, que coloquemos as nossas reivindicações nas redes sociais e que não deixemos que tirem nosso direito de viver plenamente.

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5º. – Ainda falando sobre política, lembro que nosso estado votou para o presidente Bolsonaro de forma avassaladora (76-24%). Você ficou impressionado com o resultado, como eu que realmente não esperava tanto, ou já era possível identificar os sinais uma vez que Santa Catarina sempre um estado conservador?

Olha eu realmente acredito que em Santa Catarina é um estado conservador. Eu já percebi isso porque eu considero que o movimento LGBT em Santa Catarina é mais tímido. Acredito que temos receio de se expor nas ruas e exercer a nossa sexualidade de forma livre.

Justamente por causa de uma cultura nos oprime dessa maneira por ser quem realmente somos. Então assim, eu não imaginava que ia ser o estado que mais votou no Bolsonaro. Mas não me surpreende que seja um estado que tenha votado muito nele.

6º. – Sua foto de formatura é um símbolo de orgulho e resistência. Ao ser chamado, você exibe a bandeira da diversidade com muita emoção. Contra pra gente seu sentimento naquele momento, assim como o motivo pelo qual decidiu usar aquele momento como uma manifestação política.

Então, foi de fato foi muito simbólico para mim na formatura ter levantado a bandeira LGBT, principalmente pelo meu processo de transformação dentro da universidade. Quando eu comecei minha graduação, ainda estava no armário e era imaturo para diversas questões, inclusive sociais.

Acredito que a universidade me transformou como cidadão e me fez entender as diferenças e respeita-las. Assim como empoderar grupos feministas e que lutam contra o racismo. Todo esse aprendizado me tornou uma pessoa melhor e me cativou. Sobre o leque, confesso que nem sabia se aquela manifestação era permitida. Mas eu precisava daquilo.

Era um momento de conclusão não só do curso de jornalismo, mas também do meu processo de aprendizado como cidadão, sabe? Meu processo de amadurecimento como homem gay, que é consciente de seus privilégios, mas que também está mais consciente da luta por ser quem ele é e pelas pessoas que estão ao seu redor.

7º. – Com todo respeito, você tem uma forma física notável a partir das fotos que você compartilha nas suas redes sociais. Como tem feito para manter o corpo em dia nesse período assim como sua saúde mental?

Cara, tenho que te dizer que nos primeiros meses [da pandemia] eu dei uma afundada e comecei a me alimentar muito mal. Fiquei muito ansioso. Tive que voltar para Santa Catarina e fiquei muito preocupado.

Então eu acabei ficando um tempo sem me exercitar sabe? Foi aí que comecei a perceber o quanto eu estava entrando num estado de depressão, me afundando num comodismo não só físico, como também mental, e aumentava meu nível de angústia.

Foi aí que comecei a cuidar mais da minha alimentação. Mesmo durante a pandemia, busquei alternativas para treinar de casa e fazer treinos online. Essa mudança me fez bem não só fisicamente, como psicologicamente também.

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8º. – Em junho comemoramos o mês do orgulho LGBTQIA+. Tudo isso graças ao basta que nossos pioneiros deram lá em 1969 no Stonewall Inn, na cidade de Nova York. Vejo muita gente comemorando e celebrando, mas sem saber exatamente o porquê de algumas questões. Falta esse conhecimento histórico da comunidade? De saber quais foram nossos heróis e lembrar seus nomes?

Cara, eu acho que falta muito!  Graças à Deus que a internet e as redes sociais estão aí para disseminar informações de qualidade. Eu acho que muita gente nem entende, e olha que bizarro, o que significa cada uma das letras LGBT. Então de fato, eu acho que falta esse conhecimento da história, seja de Stonewall ou quais foram os heróis aqui no Brasil, sabe?

Então eu acho que sim, falta muito com a entrada do conhecimento histórico. Acredito, contudo, que estamos absorvendo cada vez mais esse tipo de conteúdo nas redes sociais porque ele é feito por cada um de nós, sabe? Então eu vejo com bastante esperança essa perspectiva de estarmos cada vez mais bem informados. 

9º. – Somos dois homens brancos do sul do Brasil. Embora saibamos muito o que é preconceito, jamais saberemos o que é sofrer discriminação pela cor da pele. Sendo assim, te pergunto: como podemos ser aliados nessa luta antirracista e ajudar na causa?

Cara, a primeira coisa que eu entendi que eu precisava era ouvir. É muito poderoso ouvir os relatos dessas pessoas, de saber como é viver na sua pele numa sociedade que é racista. Então foi muito tocante saber e ouvir esses relatos. A partir daí eu entendi que era importante eu compartilhar e repassar, nas minhas redes sociais, esses relatos para que mais pessoas sejam tocadas por essas narrativas.

E mais do que isso, eu entendi que é importante que eu crie ferramentas e oportunidades para que a comunidade, que têm mais dificuldades para entrar no mercado de trabalho, para conseguir seguidores, enfim, tenham uma chance. Então eu acredito que ouvir, repassar informações de qualidade, compartilhar essas vozes com um público maior e criar oportunidades é como eu posso ajudar.

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10º. – Qual conselho você daria um jovem gay que te acompanha há muito tempo e vem criando coragem para se assumir a partir das suas dicas e sugestões? Imagino que deva receber muitos e-mails e mensagens com pedidos de ajuda.

Cara, eu sei o que eu gosto de e acredito que ser gay foi um presente que Deus me deu. Essa é uma frase que foi dita pelo CEO da Apple, Tim Cook, que me fez pensar: ‘Cara, como assim ‘presente’?’ Realmente parece uma frase meio exagerada, mas hoje eu vejo que ser gay é sobre entender que você pode ser livre, sexy, sexualmente ativo, assim como ser livre nos costumes, ser livre para chorar, para dançar e para vestir o que você quiser.

Quando a gente se descobre um LGBT, acaba absorvendo toda a proposta do momento, com muita vontade de viver essa liberdade sexual e ter a liberdade de expressão. Já me disseram que ser gay seria um defeito ou um problema pra mim. Hoje é uma dádiva. E eu espero que seja pra você, e tenho certeza que um dia será.

Então dê tempo ao tempo. Seja para ser amado, para amadurecer, para se desconstruir e para se entender, para se aceitar, assim como as pessoas ao seu redor também vão precisar desse tempo. A angústia, eu lembro, é passageira. Assim como as cobranças ela passa e não há nada mais gratificante como você se aceitar do jeito que você.

Ser LGBT vai te proporcionar uma série de novas possibilidades de vida e de liberdade, o que é maravilhoso. Sim eu tenho muito orgulho de ser gay e eu aposto que um dia você vai ter também. 

Rapidinhas
– Idade?

Eu tenho 23 anos.

– Onde nasceu?

Eu nasci em Santa Catarina.

– É formado em faculdade? Se sim, qual?

Eu sou formado em jornalismo pela Federal de Santa Catarina.

– Quando deu o primeiro beijo?

Eu dei o primeiro beijo…Ai meu Deus! Sei lá com uns oito anos, eu acho.

– Filme preferido?

Ela [de 2013].

– Livro preferido?

Eu diria 1984, de George Orwell.

– Autor preferido?

Eu gosto muito de Chico Buarque. E Eckhart Tolle é legal também.

– Série preferida?

No momento, Euphoria.

– Música preferida?

Aí não sei te dizer.

– Cantor ou Cantora favoritos?

Também não tenho (rs).

– Uma viagem preferida?

Acredito que ir para Madri que é uma cidade que eu amo muito que eu moraria.

– Comida preferida?

Hambúrgueres.

– Uma curiosidade sobre você que ninguém sabe

Eu sou cúspide ou seja eu nasci bem entre Capricórnio e Aquário, então apesar de eu acreditar a vida inteira que eu era Capricórnio, na verdade eu sou Aquário. Mas eu me identifico como Capricórnio então essa bagunça toda se define como cúspide.

– Um dia perfeito é um dia…?

Um dia de muita gargalhada

– Seu melhor ano e por quê?

Todos os anos se superam na minha vida. Esse ano é que está esquisito mesmo, né (rs)? Mas que foi um ano importante também. Eu me mudei para São Paulo, mesmo tendo que voltar pra Santa Catarina. Eu diria que foi um ano perfeito é o ano que eu estou vivendo todos os anos porque todos se superam e são incríveis.

– Um show inesquecível

Acredito que tenha sido o show da Beyoncé que eu assisti no Rock in Rio. Foi a primeira vez que eu assisti um show grande que eu vi ela de perto, alguém que eu acompanhei a minha vida toda.

– Um sonho que você ainda quer realizar….

Posso te citar várias coisas. Por exemplo, eu ainda quero conhecer alguns lugares, como Itália e Los Angeles, que eu nunca conheci. Acredito, contudo, que eu tenho um sonho de ter uma empresa, uma marca de roupa, sabe? Ter uma empresa e um negócio meu.

– Qual melhor programa pra fazer na sua cidade?

Ir pra praia

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