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Gabriel Morgante, criador do canal Transtô, fala sobre mês do orgulho LGBTQIA+, quebra de padrões e muito mais

Gabriel Morgante, Canal Transtô, Humor, LGBTQIA+
Imagem: Reprodução
Gabriel Morgante, Canal Transtô, Humor, LGBTQIA+

Imagem: Reprodução/Redes Sociais (03)

Gabriel Morgante é um artista, jornalista, futuro influenciador digital, assessor de imprensa e quaisquer outra função ligada a comunicação. Ele é um amigo de longa data que, finalmente, conseguiu atender a um pedido antigo: conceder-me uma entrevista.

Felizmente isso aconteceu em pleno mês do orgulho LGBTQIA+. Um momento que pede que saibamos, e lembremos, que esse não é apenas de festa, comemoração e gogoboys. E sim de reflexão, questionamento e aprendizado.

Reconhecer até onde chegamos é muito importante. Pincipalmente quando lembramos o porquê de comemorarmos em junho, graças a todos os corajosos que se voltaram contra a violência policial da época.

Nada melhor que uma conversa muito graca com o Gabriel para entender melhor o que esse momento significa pra ele e, claro, as novidades do Transtô. Espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei.

Gabriel Morgante

Imagem: Redes Sociais/Reprodução

1º. – Porque criou o canal?

O canal foi oficialmente lançado em junho de 2018 (nossa que interessante, praticamente dois anos da data de hoje). Mas suas primeiras iniciativas nasceram após eu externalizar a minha drag, Morgana Histriônica, no final de 2015.

Meus ideais iniciais em criar o canal derivam muito da minha relação Gabriel x Morgana. Antes de ser Morgana, eu sou Gabriel e desde os 5 anos acreditava de forma ainda meio que inconsciente ser uma pessoa curiosamente diferente, pois os rótulos de gênero, feminino e masculino não eram suficientes para me identificar.

Em 2015, o meu lado Drag Queen extravasou, não apenas para questionar as nomenclaturas de gênero, mas também com ele, ser capaz de lidar com os momentos de solidão e depressão. Por fim, o canal objetiva desmitificar os transtornos mentais e quebrar os tabus taxativos de identificação e de sexualidade. Tão presentes e arraigados em nossa sociedade opressora.

2º. – Como lida com os haters?

Um dos valores do meu canal é o respeito. Desta forma, acredito que o revide é uma prática muito ineficaz, por mais que ninguém seja de ferro, eu também não o sou, (risos), eu busco evitar agir da mesma forma que eles, pois acredito que agir de forma respeitosa mesmo com indivíduos que se mostram agressivos encerra o ciclo vicioso de ofensas e estupidez.

Contudo, admito também que em algumas vezes, eu usei de ironia e comicidade (pois afinal o canal também é de comédia) para desconstruir discursos machistas, preconceituosos que recebi em algumas postagens minhas. Mas no geral, os haters são a minoria, e muita vezes apenas ignorá-los também é uma forma de não validar estas falas detestáveis.

3º. – O canal te ajudou a te aceitar melhor?

Não diria que o canal me ajudou a me aceitar melhor, porque eu acredito mais no processo de autoentendimento. Contudo, acredito sim que, o canal só se tornou real e com viabilidade para se tornar potente a partir do momento em que eu consegui avançar substancialmente neste processo de autocompreensão, principalmente nas temáticas que me disponibilizo em abordar, já citadas anteriormente. O objetivo do canal também é oferecer apoio e auxílio para indivíduos que sofrem e não encontram meios para ressignificar as suas estórias de modo mais leve e artístico sem minimizar as dores e os desafios que cada um enfrenta diariamente.

Gabriel Morgante

Imagem: Redes Sociais/Reprodução

4º. – O que espera que as pessoas aprendam com seu canal?

Ter a oportunidade de usar de um meio de comunicação tão abrangente para propagar empoderamento e respeito já é um grande privilégio. Eu busco que as pessoas aprendam primariamente a respeitar as individualidades de cada sujeito. Além disso que aprendam sobre essas diferenças, que conheçam sobre as várias nomenclaturas de gênero, sobre as nuances da arte drag queen/queer, que busquem melhorarem suas narrativas a cerca de outras formas de humanidade além das quais são mais cotidianas para si.

5º. – Pra quem ainda não conhece, fala um pouquinho pra gente do Transtô?

O meu canal reflete muito do que acredito enquanto criador artístico, que é buscar cada vez mais dar voz por meio da arte aos personagens da vida real que são cotidianamente estigmatizados pelos transtornos de personalidade e marginalizados por suas questões de gênero, corporalidade e sexualidade. Acreditando em um mundo em

que as pessoas possam ser livres e respeitadas pela identidade que melhor lhes representem sem sofrerem represálias de outrem por isso, tendo como base o respeito, a generosidade, a cultivação do amor-próprio e a valorização das individualidades do ser humano.

6º. – Somos dois homens brancos num momento de necessária luta antirracista. Como podemos ajudar?

Muito se fala sobre lugar de fala, e obviamente como homens brancos não é possível ocupar o lugar que apenas o negro pode ocupar, contudo podemos do nosso lugar de fala privilegiado propagar ações em que fortifiquem a luta contra o racismo.

Desde em atitudes cotidianas, como mudar expressões verbais racistas, mudando a si mesmo e também por não aceitar que pessoas a nossa volta endossem essas práticas e comentários de racismo. Outro exemplo muito importante, (digo no campo artístico), é dar mais voz (em nível pessoal, profissional, em nossas redes sociais) e repercussão para artistas negros evidenciando suas produções e manifestações.

Gabriel Morgante

Imagem: Redes Sociais/Reprodução

Um exemplo mais profundo seria, em vez de simplesmente questionar uma obra literária que contenha racismo, seria mais eficaz desconsiderá-la e buscar obras que privilegiam a cultura negra, e dar mais relevância a ela no cenário artístico. É possível também evitar consumir marcas que, de certa forma, reforçam práticas racistas e não consumi-las é uma forma da não dar voz aos seus discursos ignorantes.

Existem muitas formas de agirmos em prol dessa luta e podemos fazê-las em várias nuances, das mais simples às mais complexas, o importante é tornar isso um hábito urgentemente.

7º. – Estamos no mês do orgulho LGTBQIA+, o quão importante esse momento é? Pra comunidade?

O orgulho LGTBQIA+ é motivo de orgulho não somente neste mês, mas é um motivo de orgulho diário. Pois falando como gay e queer nossa luta é diária, e nessa luta enfrentamos diversas atrocidades e atitudes que desrespeitam nosso direito de ir e vir e de existir dignamente como seres humanos.

Ter um mês dedicado a esta luta é sem dúvidas empoderador pois faz com que nossa cultura, nossas expressões, nossas individualidades sejam promovidas, como não são, mas deveriam ser, em nosso dia a dia. Neste mês temos uma oportunidade ainda mais feroz de fazer com que nossa voz seja escutada pelos ouvidos que nos silenciam constantemente.

O Transtô é um lugar de assídua luta em prol das vozes minoritárias. Sou obstinado em veementemente usar do meu ofício e qualidades artísticas em prol dessa batalha.

E antes de ir embora….

Fica aqui meu agradecimento ao Gabriel. Amigo, um beijo pra você! Conte comigo e com o João Biott sempre!

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