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Filme de super herói é ou não é cinema? Nosso editor analisa a polêmica

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Se você chegou até aqui você já deve estar sabendo que o cineasta Martin Scorsese (diretor de Taxi Driver) fez uma declaração sobre os filmes da Marvel que deram o que falar nos últimos dias. Em que ele declarou que os filmes da Marvel, ou melhor, os filmes de herói “não são cinema”, e o também cineasta Francis Ford Coppola (diretor de Poderoso Chefão) concordou com a afirmação. O diretor brasileiro Fernando Meirelles (diretor de Cidade de Deus) também foi um dos nomes que concordaram com a afirmação de Scorsese.

“Eu não assisto. Eu tentei, sabe? Mas não é cinema. Honestamente, o mais perto disso, por mais bem feitos que sejam, com atores fazendo o melhor possível dadas as circustâncias, são parques temáticos. Não é o cinema de seres humanos tentando passar experiências emocionais e psicológicas para outros seres humanos”. Declarou Scorsese em entrevista à Empire.

“Não é cinema, é outra coisa. Nós não deveríamos ser invadidos por isso. Nós precisamos que os cinemas se posicionem e apresentem filmes que são narrativas. Cinemas viraram parques de diversões. Isso é ótimo para aqueles que gostam desse tipo de filme e, sabendo o que as pessoas sentem agora, eu admiro o que elas fazem. Não é o meu tipo de coisa, simplesmente não é. É criar para um outro tipo de audiência que acha que cinema é isso”. Disse Scorsese em um outro momento em uma coletiva de imprensa no London Film Festival.

E em entrevista ao Yahoo! o Coppola concordou com o Scorsese:

 

“Quando Martin Scorsese diz que os filmes da Marvel não são cinema, ele está certo, porque nós esperamos aprender algo com o cinema, esperamos ganhar algo, iluminação, conhecimento, inspiração. Não sei o que alguém pode aprender vendo o mesmo filme diversas veses”. Disse Coppola.

O que acabou causando uma guerra entre diretores, roteiristas, e atores de filmes da Marvel, e alguns nomes como James Gunn (diretor de Guardiões da Galáxia), Joss Whedon (diretor de Vingadores), Scott Derrickson (diretor de Doutor Estranho) rebateram as declarações deixando suas opiniões sobre o assunto.

Agora vamos tentar pensar o porquê do Scorsese ter feito essa afirmação que acabou causando tanta confusão. Primeiro Scorsese diz que os filmes da Marvel não devem ser considerados cinema porque eles falham em retratar a realidade, já que o artifício principal desse gênero cinematográfico é o uso de efeitos especiais. O que ele acaba por chamar esse tipo de filme de “parque de diversões”. Scorsese defende que o cinema tem que evitar que esse tipo de cinema monopolize as salas de cinema.

E é aqui onde mora a verdadeira questão que ele quis abordar com essa declaração, por mais que pareça uma declaração de um idoso saudosista, Scorsese, Coppola e muitos outros cineastas que defendam o cinema de autor, se sentam ameaçados por esse tipo de filme que ganha milhões de dólares todo ano e ocupam boa parte das salas de cinema. A declaração vai além de julgar se os filmes de heróis são bons ou não, a discussão é sobre a monopolização do mercado cinematográfico. A partir do momento em que você visualiza que entre as 10 maiores bilheterias do ano, 4 ou 5 são de filmes de heróis, se acaba percebendo como esse mercado não anda tendo muita diversidade. O número de filmes estreando nas salas de cinema dos gêneros comédia e romance caíram bastante nos últimos anos, pois a indústria percebeu que produzir filme de herói é muito mais rentável e lucrativo para as grandes corporações como a Disney, por exemplo.

Este ano aqui no Brasil nós presenciamos o que foi o fenômeno “Vingadores: Ultimato” que acabou ocupando 80% das salas do Brasil, o que acabou criando uma grande polêmica que diz respeito aos chamados “lançamentos predatórios”, termo que a Ancine usou na época. É realmente muito esquisito ir ao cinema e encontrar o mesmo filme ocupando 50% das salas, em que os outros 50% tem que ser dividido por outros 5 filmes pelo menos. Então é importante analisar esse cenário, pois o ideal é que houvesse uma distribuição mais justa dos filmes no cinema, o que acabaria por agradar todo tipo de espectador. Porém, sabemos que na realidade capitalista não é assim que o sistema funciona, pois hoje, as redes de cinema no mundo inteiro preferem colocar filmes que vão trazer bilheteria certa.

Por outro lado, ao fazer o recorte sobre a declaração do Scorsese de que filme de herói não é cinema, é uma declaração um tanto perigosa, eu diria até elitista. Pois é ignorar toda uma indústria que trabalha nesses filmes, são centenas de pessoas trabalhando para que um filme de herói seja feito, da mesma forma. E a forma que eles conseguem transformar o filme em um evento é algo bastante notável, pois acabam criando um evento para todas as idades e públicos, independentemente de serem ou não fãs de heróis/quadrinhos. Com essa fórmula se empenharam em criar um universo inteiro em pouco mais de 10 anos, tempo suficiente pro sucesso dos filmes tomar proporção mundial e bater recordes de bilheteria e conquistar milhões de fãs.

Por fim, o ideal é que haja espaço pra todo mundo, tanto o cinema autoral, como o filme de herói, pois há público pra todo tipo de gênero cinematográfico, o importante é que todo mundo possa prestigiar o cinema, e com o advento do streaming agora estamos tendo o hábito de “ter um cinema em casa”, então é tudo muito novo e a indústria precisa acompanhar todas essas mudanças. Espero que no futuro o cinema seja capaz de abraçar a todos para que discussões como essa não tenham mais necessidade e que a única preocupação que a gente possa ter é de sair de casa para ir ver um bom filme, seja ele qual for.

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