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Entrevista

Alisson Negrini, repórter fenômeno da TV TEM, fala sobre os desafios do jornalismo

Alisson Negrini
Imagem: Divulgação
Alisson Negrini

Imagem: Divulgação

Se você não é do interior de São Paulo, mais precisamente a região da Grande Sorocaba, provavelmente nunca ouviu falar de Alisson Negrini. É verdade que ele ganhou as redes sociais nas últimas semanas pelo ‘encontro com a dona Iolanda numa feira de rua‘, mas a boa notícia, é que o jovem repórter é muito melhor (e maior) do que um vídeo viral.

Em tempos de pandemia do novo Coronavírus, crise política, possível recessão econômica, sabemos que não é fácil ser jornalista. Principalmente com ameaças constantes ao trabalho da livre imprensa por causa de políticos demagogos e populistas.

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Sabendo disso, conversamos com o Alisson sobre seu sucesso, desafios profissionais, a troca de emissoras e o que planeja para seu futuro.

Alisson Negrini, TV Tem

Imagem: Divulgação

1º. – Sempre gosto de começar a entrevista dando a oportunidade para todos aqueles que ainda não te conhecem, descobrir um pouco mais. Então você poderia contar um pouquinho pra gente da sua trajetória?

Sou consideravelmente jovem, pela idade, mas já fiz bastante coisa rs. Tenho 23 anos, faço 24 agora em maio. Nasci no Espírito Santo e morei a maior parte da vida em uma cidade pequena chamada Piúma, no litoral sul do Estado.

Sempre tive o desejo de trabalhar em um canal de televisão. Aos 14 anos tive minha primeira experiência: ser repórter de um programa de variedades chamado Sabadão, na TV Sim Brasil, afiliada à Rede Brasil de Televisão, em Cachoeiro do Itapemirim, terra do rei Roberto Carlos. Nesse programa fazia reportagem em formato entretenimento, visitava shows, conversava com personalidades e gravava em locais turísticos.

Em 2014 comecei a cursar jornalismo em Presidente Prudente, no oeste paulista. Foi aí que comecei a ter ideia do que teria pela frente com a profissão. Em 2016 comecei a estagiar na TV Band de Presidente Prudente, fui contratado como repórter dois anos depois. Fui repórter e cheguei a apresentar a edição regional Brasil Urgente, programa ao vivo de uma hora de duração. (Me lembro como se fosse ontem, a direção precisava de um apresentador de última hora, eu pedi para que me dessem a oportunidade, mesmo que eu não tivesse feito piloto para apresentar. Na cara e na coragem e com uma imensa oportunidade da minha chefia, na época, apresentei e deu certo. Logo depois virei apresentador substituto, cheguei a comandar também outro jornalístico, o SP Urgente na ausência do âncora.

Em 2018, fui contratado pela TV TEM afiliada à Rede Globo, emissora em que estou até hoje. Nela comecei em uma praça na cidade de Ourinhos, depois fui para Marília e agora estou em Bauru, sempre como repórter.

2º. – Fazer jornalismo no interior deve ser uma experiência e tanto na vida de um profissional da nossa área. Mesmo que Ourinhos tenha pouco mais de 110 mil habitantes, o que você acredita que poderia ensinar para aqueles profissionais da imprensa nacional?

Me formei em Pres. Prudente, também no interior de SP. Acredito que tenho mais a aprender do que a ensinar. Mas o interior tem seus encantos e eu me aproprio deles pra buscar crescimento e aperfeiçoamento. Fora das capitais temos mais espaço para a notícia, como dizem, é uma conversa com o telespectador. Mais tempo garante mais conversa, mais improviso e mais descontração, o que torna a notícia leve e mais fácil de ser absorvida. Uma verdadeira escola para quem almeja a carreira nacional. Aliás, muitos que já alcançaram esse patamar foram moldados no interior.

Alisson Negrini, Band

Imagem: Divulgação

3º. – Recentemente você saiu a Band (local) e foi para afiliada da Globo (a TV Tem). O que motivou essa mudança de casa?

O crescimento profissional e também o desejo de atuar no time de emissoras da TV Globo. Eu costumo aceitar desafios, rs. O convite da TV TEM veio em um momento em que eu estava bem na Band, já apresentava dois programas. Eu imaginei que estar em uma afiliada Globo que tem três jornais locais me daria mais chance de me aperfeiçoar e, talvez uma perspectiva mais atraente de carreira. Deu certo! Já evolui muito e cada dia aprendo mais e mais. A Band me deu uma oportunidade para começar e eu sou eternamente grato a tudo que vivi trabalhando lá.

4º. – No tempo que trabalhou na Band, você apresentou o Brasil Urgente em alguns momentos. Você gostava de cobrir esse tipo de pauta ou simplesmente agarrou a oportunidade?

Acabei já respondendo essa pergunta lá em cima rs. Mas vale reafirmar que foi uma super oportunidade que caiu no meu colo. A direção acreditou em mim e eu mais uma vez aceitei o desafio que marcou minha vida profissional. Em relação a pauta, mesmo que fosse um programa policial e outro comunitário os dois me fizeram bem. Alguns assuntos não são legais, mas a gente precisa mostrar e eu tentei conduzir da melhor forma, mesmo com pouca experiência.

Alisson Negrini, TV Tem

Imagem: Divulgação

5º. – Qual a melhor e a pior parte do seu trabalho? E nos conte o porquê, acredito que sempre deve existir uma história curiosa por trás.

Trabalhar na televisão não é tão fácil quanto pode parecer. Muitas coisas acontecem nos bastidores e as pessoas nem imaginam quando nos veem no ar. As vezes surgem imprevistos enquanto estamos no ar e a gente precisa lidar com eles.

Esses dias, por exemplo, em um ao vivo falando sobre as mudanças em uma feira livre provocadas pela pandemia, fui surpreendido por uma senhora durante a minha entrada, ela fazia compras e acabou parando em gente a câmera e ficou me seguindo durante boa parte da minha aparição no jornal.

Eu estava em uma saia justa. Não podia chegar perto dela por dois motivos: me faltava um microfone de mão para entrevista-la e ela era do grupo de risco da covid-19. Acabei tendo que me desviar dela por duas vezes enquanto falava sobre a feira, a situação chegou a rodar as redes sociais, no fim as pessoas se divertiram com o imprevisto.

Citei os imprevistos porque eles nos geram uma adrenalina absurda e lidar com ela acaba sendo a melhor parte do trabalho. Ao vivo tudo pode acontecer e são nesses momentos que a profissão nos testa.

6º. – Você é um jovem de presença e consequentemente chama muita atenção nas redes sociais. É difícil impor limites e lidar com o assédio das pessoas? Acredito que deve passar da conta em alguns momentos 

As pessoas costumam ser muito carinhosas comigo, tanto na rua quanto nas redes sociais. Quem me para na rua acaba me tirando sorrisos, no fim sai até uma foto. Nas redes sociais não consigo responder à todos, mas sempre me dedico a dar atenção a quem me acompanha na internet, leio tudo que me enviam. Já recebi mensagens que não esperava mas acho que isso faz parte rs.

Alisson Negrini

Imagem: Redes Sociais/Reprodução

7º. – Além da qualidade do seu trabalho, você também chama muita atenção pelo rápido crescimento profissional apesar da pouca idade. Como que as coisas foram acontecendo? 

Sou movido à desafios. Se acredito que eles são bons pra mim eu os aceito. Acredito que não ter esse medo me ajuda bastante. Eu costumo meter a cara e tentar, se não der certo hoje, uma hora dará. Ainda assim, sou jovem e tenho muito a aprender.

8º. – É uma pergunta clichê, mas é inevitável de fazê-la: qual cobertura mais te marcou e por que? 

A cobertura mais marcante para mim até hoje foi a de uma rebelião em uma penitenciária, em Lucélia no interior de São Paulo. Eu estava na Band, e trabalhei quase 24 horas pra garantir as informações. Presencie tiros, explosões e acompanhei toda a rebelião que havia feito dois promotores reféns dos presidiários. Nesse dia entrei ao vivo em quase todos os jornais da Band. Foi uma experiência cansativa, mas incrível.

9º. – Como você se imagina daqui a dez anos? Ainda em Ourinhos ou trabalhando para um grande veículo em São Paulo?

Eu gostaria muito de trabalhar em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Como sonhar não custa nada, um desejo grande é trabalhar diretamente na TV Globo.

10º. – Mesmo que você seja jovem, acredito que temos quase a mesma idade, qual conselho você daria para um colega que está estudando ou pensando em começar o curso?

Hoje, infelizmente estamos vivendo um momento de muita insegurança na nossa profissão. Jornalistas estão sendo atacados ao vivo. Existe uma perseguição que praticamente virou doença.

Algumas pessoas são ignorantes o suficiente para acreditar que nosso trabalho não é essencial e poderia ser duvidoso. Infelizmente estes não se dão conta de que estamos nas ruas para ajuda-los a ficarem informados sobre o que eles precisam. Eles nos atacam de graça sem saber que atacar o jornalismo e colocar a si próprio em risco. Já imaginou um mundo sem notícia? O que seria de nós?

Por esse motivo, é preciso pensar bastante antes de escolher uma profissão. Ver o cenário, as possibilidades de empregos e áreas de carreira é fundamental.

Mas…. o jornalismo é apaixonante, acho que jornalista já nasce jornalista. Então quem tem esse sonho não deve desistir dele não. Vamos à luta, todos juntos!

1 Comment

1 Comment

  1. Lívia Rosa

    maio 27, 2021 at 12:26 pm

    Ele tá na CNN agora né? Tão jovem e já alcançando o que muitos gostariam. Um exemplo pra mim que ainda estou estudando. Me inspiro muito nele.

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