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Cinema

Crítica | It: Capítulo 2

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

O palhaço Pennywise retorna com It: Capítulo 2 e dessa vez com um filme muito mais longo e menos assustador que o antecessor de 2017. Primeiro que o filme possui quase 3 horas de duração e no final não se justifica por ser tão longo. O roteiro do Gary Dauberman aposta em uma aventura mais nostálgica em que os integrantes do grupo que agora estão crescidos são convocados a voltar para a cidade da infância após descobrirem que o palhaço está de volta. O problema é que colocar essa resolução em quase 3 horas de filme é que o filme demora a engatar de fato o gênero do terror, e ele ainda aposta em flashbacks dos personagens que tem que enfrentar seus demônios do passado, e em certo ponto esses flashbacks passam a se tornar cansativos e o terror vai ficando previsível a medida que assistimos o flashback dos personagens cada vez mais.

O grupo que se encontra novamente 27 anos depois é formado pelo elenco: Jessica Chastain (Beverly), James McAvoy (Bill), Bill Harder (Richie), Isaiah Mustafa (Mike), James Ransone (Eddie) e Jay Ryan (Ben), e fiquei com a sensação de que eu não conhecia nenhum deles, sem dúvida alguma o elenco infantil do primeiro filme funcionou melhor pois eles tinham mais química e as cenas funcionavam bastante quando eles estavam em grupo, já em It: Capítulo 2 o grupo não funciona tão bem, tanto que as cenas em que os personagens mais se destacam são as que eles estão separados, o que é um problema.

Quando o assunto é comédia eu enxerguei um texto com piadas bem problemáticas, como piadas gordofóbicas, misóginas, e bastante sem graça por sinal. Tipo de piada ou insulto que no primeiro filme se justificava já que se passava nos anos 80, mas como esse passa nos tempos atuais não faz muito sentido o filme usar esse tipo de piada como alívio cômico, principalmente de cunho gordofóbico em que é recorrente no filme, já que um dos integrantes do grupo, o Ben que era gordo quando criança e emagreceu conforme foi crescendo, e isso volta e meia é utilizado como alívio cômico. E aparentemente o único motivo do personagem ter emagrecido seria pra poder fazer par romântica com a Beverly, já que para Hollywood um gordo nunca ficaria com a mocinha no final.

Stephen King faz uma participação especial no filme como um antiquário na cidade de Derry. Embora uma sequência faça várias perguntas paraBill (James McAvoy), adulto que é um escritor de terror popular que não consegue encontrar os finais certos para seus livros – aparentemente um óbvio embate consciente com uma parte de King -, mas é o cenário antigo que é realmente mais apropriado para King. Porque It: Capítulo 2 é uma adaptação muito fiel à obra de King, não apenas carrega a ocupação excessiva do autor, mas também o período de tempo em que King escreveu o livro, que é importante e desnecessário em 2019.

O diretor Andy Muschietti lança um ícone de destaque em Xavier Dolan logo na primeira cena do filme, em que o personagem de Dolan e seu namorado sofrem ataques de homofobia, mas no final parece que a cena não serve a nenhum outro propósito que não seja ser fiel ao livro de Stephen King. É uma cena que toma grande parte do início do filme, e o crime de ódio é seguido da primeira aparição de Pennywise, e nenhum dos personagens que atacam os rapazes são vistos novamente no filme.

O capítulo 2 embora com algumas pontos fantásticos de cenário e cinematografia, é muito cansativo e diverte pouco. Repete coisas que funcionaram no primeiro filme, outra coisa que acaba deixando o filme bastante cansativo é um segundo ato inteiro que atola todo o momento enlouquecido pelo qual o filme começa. Por fim, a abertura do filme me deixou satisfeito, mas à medida que o filme prosseguia senti o ritmo caindo bastante, porque o primeiro ato é sombrio, caótico e frenético antes de entrar em repetição e ocasional tédio. Ou seja, a chocante abertura se encaixava no quão sombrio o filme era, mas quanto mais o Capítulo Dois se esforçava por ressonância emocional e declarações simbólicas sobre a superação de traumas, mais deslocada e vergonhosa ele parecia.

Ainda assim, durante a primeira hora eu estava embarcando na aventura porque o filme estava assumindo alguns riscos. Nenhuma das origens de Pennywise fazem muito sentido, mas eu gostei que houvesse alucinações com drogas para tentar explicá-las. O segundo assassinato de Pennywise, sob as arquibancadas de um jogo de beisebol, é um dos momentos mais assustadores do filme, porque usa um cenário escuro e sombrio, uma contagem regressiva assustadora e com bastante paciência para te assustar, em completa contradição com todos os sustos previsíveis que são a maior parte do resto do filme.

No segundo ato do filme o grupo sai em busca dos artefatos de infância em que eles precisam para derrotar o Pennywise. A busca dos artefatos é enlouquecedora, porque repete grande parte do primeiro filme ao fazer com que “Os Otários” adultos revisitam seus lugares de infância em busca de itens que conhecíamos antes (bicicleta de Bill, carta secreta de admiradores de Beverly, etc.) ou foram revelados recentemente. Há sempre uma linha de diálogo descartável para expressar por que eles precisam fazer isso completamente sozinhos, o que não faz sentido quando se trata de ser assustado por um palhaço assassino individualmente. E cada um desses momentos, para seis pessoas, torna-se exaustivo, frustrante e perde todo o momento excêntrico que o filme tinha para ele, optando por engasgar com sustos, CGI e a decisão mais estúpida que você já viu em um filme de terror.

Quando chega o terceiro, It: Capítulo 2 começou a funcionar e todo o segundo ato de caça a artefatos foi comprovado em nada, já que o Pennywise precisaria ser derrotado de uma maneira diferente. Se você irá gostar dessa parte do filme ou não dependerá do quanto você sente que o filme ganhou na construção de personagens. Mike (Isaiah Mustafah) tem uma reflexão um tanto tardia, apesar de começar o filme inteiro reunindo o grupo. Beverly (Jessica Chastain) permanece apenas definida por seus abusos, passado e presente, e seu desejo de ser amada. Ben (Jay Ryan) ainda é definido apenas por seu amor por Beverly. Eddie (James Ransone) ainda é menos confiante do que Riche (Bill Hader), e Richie é o único adulto que recebe um novo personagem do filme, mas é explorado demais, como se o filme fosse ambientado nos anos 80 e não nos dias atuais.

Tudo isso para dizer, com exceção de Hader, nenhum dos “Otários” adultos traz algo extra aos arquétipos que foram construídos no primeiro filme e nem o segundo depois que eles se reencontram. O primeiro filme foi uma base para a qual esse filme se destacou e, no final, fez muito pouco além da repetição. É frustrante porque o filme é tão cheio de momentos vazios quanto a maioria dos livros de Stephen King, mas a primeira hora mostra um filme fora do comum que cedeu à familiaridade. Como filme, suas peças de cenário são mais fortes que as do primeiro filme, mas pioram o desgaste geral porque cobre muito terreno previamente pisado por horas e horas.

It: Capítulo 2 estreou hoje (05) e segue em cartaz nos cinemas.

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