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Crítica | Espero tua (Re)volta

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Enquanto na sociedade de hoje os estudantes costumam ser taxados como vagabundos que só fumam maconha, havia um tempo na Europa que eles eram frequentemente vistos como o grupo com maior probabilidade de pressionar os governos. Um dos exemplos mais famosos foi na França durante as greves estudantis de 1968. No entanto, em outras áreas do mundo essa luta continua, como vimos recentemente com os protestos em Hong Kong contra as autoridades chinesas. O Brasil é um país com muitos problemas sociais e as coisas só devem piorar depois da eleição do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro.

No entanto, no Brasil há forte consciência social e ativismo político. Em 2013, provocada por um pequeno aumento nos preços das passagens de ônibus, trem e metrô em algumas cidades, centenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas para fazer suas vozes serem ouvidas. Alimentado por seu sucesso, movimentos surgiram em todo o país. Quando o regime anunciou cortes orçamentários em escolas públicas e universidades, os estudantes se levantaram e ocuparam os edifícios. No novo documentário de Eliza Capai, Espero tua (Re)volta, três estudantes do ensino médio (Marcela, Nayara e Koko) contam essa história através de suas próprias experiências.

Baseado em entrevistas detalhadas com muitos estudantes e aproveitando o trabalho dedicado de outros documentaristas, incluindo Caio Castor, Herinque Cataxo (Jornalistas Livres) e Tiago Tambellis, Espero tua (Re)volta constrói um retrato do otimismo juvenil e dos muitos temas do movimento estudantil (direitos LGBTQ, anti-racismo, anti-sexismo, tratado de modo horizontal) de dentro para fora.

A abordagem da diretora – permitindo que o trio de jovens ativistas representasse os muitos, discutindo entre si, contando uma história tanto sobre o empoderamento de mulheres jovens quanto a descoberta do orgulho em sua raça e cor – faz para um filme que pode exigir algum conhecimento prévio ou pesquisa depois de assistir para entender completamente, mas representa uma visão fresca e encorajadora sobre um movimento de protesto que deliberadamente evita apoio partidário convencional ou liderança institucionalizada.

O Brasil é um país com grandes recursos naturais, mas altos níveis de pobreza. A diferença entre os mais ricos e os mais pobres cresce a cada ano. A corrupção dentro dos partidos políticos levou muitos a tomar as coisas em suas próprias mãos. Dando a palavra a esses três jovens ativistas, Capai criou um filme cheio de exuberância, energia e raiva. Em um mundo que às vezes pode parecer mais sombrio todos os dias, o filme oferece um raio de esperança. Um vislumbre do que pode ser alcançado quando as pessoas são levadas à ação. O potencial para um futuro melhor.

Espero tua (Re)volta estreou em 15 de agosto e segue em cartaz nos cinemas. Assista o trailer:

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