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Cinema

Crítica | Crush à Altura

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Crush à Altura estreou nesta sexta-feira (13) e é o mais nova comédia romântica da Netflix. Mas que está longe de ser um grande sucesso como foi A Barraca do Beijo Para Todos os Garotos que Já Amei, por exemplo. A premissa é bastante simples, é sobre uma garota que tem mais de 1,80m de altura, e que por isso ela nunca namorou com ninguém, mas quando chega um novo garoto na escola tudo isso pode mudar.

Basicamente é uma história sobre a alienação que vem acompanhada de ser visivelmente diferente das pessoas ao seu redor, e é uma questão com a qual todos e cada um de nós podemos se relacionar em um nível ou outro. É um terreno tão fértil e relacionável, de fato, que esteve no centro de muitos filmes diferentes… e é aí que mora o problema. Sam Wolfson pode ser creditado como o único roteirista do filme, mas o reconhecimento também pode ser dado a centenas de outros roteiristas, já que não há um pingo de originalidade em todos os 101 minutos do filme. É verdade que uma adolescente que se sente desconfortável com sua altura pode ser um território que não foi explicitamente explorado antes no cinema, mas a maneira como ela é tratada aqui faz com que você sinta que se tornou a principal ideia do roteiro como resultado de uma “causa aleatória”, como se a maioria dos adolescentes também não se sentissem inseguros no ensino médio.

Em sua estreia no cinema, a modelo/dançarina/cantora Ava Michelle estrela como Jodi, uma estudante de ensino médio bastante alta. Ela é impressionantemente inteligente e toca piano lindamente, mas está constantemente trabalhando para não chamar atenção. Ao seu redor estão todos os arquétipos esperados desse tipo de história: Steve Zahn e Angela Kinsey interpretam seus pais amorosos, mas mal orientados; Sabrina Carpenter, como Harper é a irmã vencedora de concursos de beleza; Fareeda, como Anjelika Washington, é a melhor amiga extrovertida que incentiva Jodi a viver sua vida em voz alta; Jack Dunkleman, como Griffin Gluck, é o nerd apaixonado por Jodi desde sempre; Kimmy, como Clara Wilsey, é sa garota má que vive pegando em seu pé; e Stig, como Luke Eisner, é o popular estudante de intercâmbio e a paixão de Jodi.

Se você é uma pessoa que assistiu pelo menos 20 filmes de comédia romântica em sua vida, provavelmente poderá receber essas descrições de personagens e conseguir adivinhar 95% do que acontece na trama. Sim, os pais fazem um esforço muito grande que acaba empurrando a filha ainda mais longe deles. Sim, Harper tenta fazer uma reforma na irmã. Sim, Jodi rouba a atenção de Stig de Kimmy e gera todo tipo de inveja. Sim, Jack tem uma peculiaridade desagradável que não fica clara até o fim. E sim, este é talvez o milésimo filme a ter seu protagonista fazendo um discurso de improviso em seu baile.

A falta de originalidade também não se limita aos traços gerais de Crush à Altura, e espalha uma espessa camada de mediocridade por todo o filme. Embora você pense que poderia haver algum trabalho criativo de câmera oferecido, dada a perspectiva alterada de seu personagem principal, pouca licença estilística é tirada na direção ou na fotografia. Os atores são adequados para suas partes, e combinam bem, mas o diálogo é simples e básico, com apenas algumas linhas e bits modestamente memoráveis. Enquanto você assiste, você se vê pensando em todos os outros filmes que fazem escolhas parecidas, e tudo sobre ele fica embaçado na reflexão.

Comparado a muitos problemas muito mais sérios que os adolescentes modernos enfrentam, ser alto para sua idade não parece ser esse problemão todo – mas não é inteiramente justo descartar este filme com base apenas nesses motivos. Certamente há alguém por aí que se relacionará profundamente com o que Jodi experimenta através do enredo de Crush à Altura, e isso pode acabar ajudando-os a lidar com sua luta pessoal. O que não pode ser perdoado da mesma maneira, porém, é quão pouco o filme contribui para o gênero. Existem muitos filmes muito melhores do que esse, e eles provavelmente podem ser facilmente encontrados na Neflix, como o filme Dumplin’ por exemplo. Fora que o humor dos espectadores mudou bastante com o passar do tempo e muitos deles podem não sentir muita empatia pelas queixas de uma adolescente branca, loira, rica e alta.

No entanto, existe uma linha tênue entre “comédia caseira” e “narrativa preguiçosa”, e Crush à Altura tem muito do último e não o suficiente do primeiro. A ideia mais original do filme é que, quando Jodi se transforma, ela não precisa trocar seus moletons com capuz e calça de moletom por vestidos e saias femininas. Em vez disso, sua atualização de estilo inclui um terno turquesa matador. Infelizmente, esse tipo de originalidade é muito pequeno e distante em um filme que analisa a importância de ser você mesmo, mas falha em assumir riscos.

Você pode encontrar “Crush à Altura” disponível no catálogo da Netflix.

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