Connect with us

Hi, what are you looking for?

Cinema

Crítica | Cats

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Durante os primeiros dias após o lançamento do trailer, praticamente toda a Internet parou para comentar o vídeo desconcertante que nos apresentou à adaptação do musical Cats. Dada a resposta ao trailer e o fato de ter sido bastante divulgado que o filme estava muito atrasado e ainda estava sendo trabalhado pelo diretor Tom Hooper e pela equipe nos dias anteriores ao lançamento, não surpreende que o filme é… incomum. Por falta de uma frase melhor, é absolutamente louco. É claro, é de se esperar um pouco de estranheza em um filme cuja premissa é “os gatos conversam e cantam”, mas é muito pior do que isso.

Para aqueles que não conhecem o musical de Lloyd-Webber ou as obras de TS Eliot, não há praticamente nenhuma tentativa de convencê-lo a conhecer. O enredo do filme e as histórias complicadas são explicadas com muita atenção. Cats abre com uma cena musical bastante longa, na qual temos o primeiro vislumbre dos ‘gatos’ – e percebemos que é exatamente isso que temíamos – que se contorcem e dançam cantando sobre ser ‘gelatinas’ ( um dos muitos conceitos obscuros que tem no filme). Em nenhum lugar durante essa cena existe a noção de montar uma história, apresentar-nos a qualquer um dos personagens ou até mesmo fazer sentido. E então o filme continua.

A primeira regra de Cats é que você não pensa muito sobre os gatos. O absurdo absoluto disso literalmente o deixará louco. Assim que você identifica um buraco na trama ou uma escolha aparentemente aleatória (por exemplo, as gatas têm seios claramente humanos, enquanto os machos têm corpos absurdamente esculpidos, mas aparentemente sem genitália), um monte de outras questões vem à tona (por que existem alguns gatos com sapatos? Por que alguns gatos aparentemente se teletransportam? Como é que a escala desses mamíferos varia tanto ao longo do filme? Por que ninguém sequer tentou fazer com que nenhum dos atores humanos se parecesse vagamente com gatos de verdade? Há uma metáfora aqui sobre um gato puxando fios, mas é difícil pensar logo depois de assistir a este filme.

O elenco é absolutamente empilhado com nomes familiares; há Taylor Swift como Bombalurina, Judi Dench como Old Deuteronomy, Idris Elba como Macavity, Ian McKellan como Gus, o gato do teatro. Existe até Ray Winstone como Growltiger, por que não? É realmente estranho ter tantos rostos reconhecíveis rondando por aí, porque é apenas mais uma coisa que torna impossível suspender a descrença. Maquiagem aplicada aleatoriamente e CGI (gato gerando insanidade) não mascaram ou realçam os rostos da rainha Elizabeth I, Luther e Gandalf – eles simplesmente os desfiguram.

Então… os pontos positivos. Deve haver algum, certo? Bem, o cenário atual – ofensivo e ofensivo como é, é um movimento inovador da paisagem plana da peça teatral. E entre esse elenco ofuscante a recém-chegada Francesca Hayward é encantadora, apesar de todo o inferno surgir ao seu redor. E, claro, ‘Memory’ é um clássico cantado pela vencedora do Oscar Jennifer Hudson (os vocais isolados são uma alegria). McKellan é comovente e, pelo menos, consegue salvar um pouco de dignidade com sua atuação sincera como Gus.

Depois, há as coisas menos positivas. O roteiro oscila entre não saber que nada pode ser levado a sério nesta imagem e realmente tentar passar isso como arte. Quanto ao enredo… não há enredo. Os poemas originais de Eliot eram um absurdo absurdo, e o filme de Tom Hooper é tão absurdo quanto a tentativa de um capricho é nauseante. Há muita energia sexual, desde o físico dos gatos ocultos até os olhares sugestivos e apenas a presença de Jason Derulo, que é inerentemente inquietante. Praticamente todo o tempo de execução é um ‘gato’ após o outro se apresentando, e existem algumas opções técnicas francamente desconcertantes de fazer filmes que levam o filme ainda mais para o território das piadas. Por exemplo, as baratas dançando. Se essa frase sozinha não o assusta, então talvez Cats será para você.

Porque deve haver alguém por aí que vai curtir esse filme selvagem, estranho e absolutamente maluco. Mas não será para os visuais – o pêlo repulsivo, a maquiagem esbofeteada e apenas a dissonante cena em cena por toda parte devem vir com um aviso de saúde. Também não será para a atuação – além da mencionada tentativa de Hayward de ser carinhosa, a maioria de seus colegas de elenco se sai muito mal aqui (qual é o sotaque de Jason Derulo, e por que Judi Dench se parece… assim?).

O musical em si é obviamente excêntrico, mas, de alguma forma, traduzi-lo para a tela grande – pelo menos assim – eliminou qualquer encanto caprichoso ou estranheza adorável e transformou-o em uma bagunça abjeta. Certamente, há alguma alegria grotesca derivada de ver isso acontecer, mas é isso.

A direção de Hooper varia do aceitável ao totalmente inapropriado, o roteiro é diabólico e a aparência do filme não deixa de ser indutora de pesadelo. Os fãs de música hardcore podem querer ver isso, e parece destinado a se tornar um guilty pleasure, mas fora isso, a única coisa para a qual Cats é bom é arruinar seu espírito natalino. Mesmo um gato, com nove vidas, provavelmente não deveria desperdiçar um assistindo isso.

Cats estreou dia 25 de dezembro e segue em cartaz nos cinemas.

Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja agora!

Cinema

Uma mistura hilária de humor e assassinatos com muitas mortes sangrentas O diretor de A Morte Te Dá Parabéns, Christopher Landon, está de volta...

Cinema

Luzes piscando, multidões e um movimento vertiginoso da câmera A Festa de Formatura começa com impressões raivosas de uma estreia musical na Broadway. Duas...

Cinema

Ostentação de melhor desempenho do protagonista Desde que o filme O Abutre fez bastante sucesso em seu lançamento em 2014, o perfil do ator...

Entretenimento

A Netflix revelou nesta sexta-feira (4) o trailer completo de Pequenos Grandes Heróis. A Netflix já havia mostrado anteriormente o primeiro teaser do filme com a presença...