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Coluna Bruno Baldan: Responsabilidade emocional

assumindo a responsabilidade imagem divulgacao
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Foi-se o tempo em que relacionamentos eram formados para cumprir algum tipo de protocolo social para ser aceito perante a sociedade, não que os efeitos dessa era tenham findado, mas hoje em dia o que impera é o sentimento como pedra fundamental, não só para a formação do casal, mas como a única forma de sobrevivência dele. Num momento em que as relações parecem efêmeras e descartáveis, reféns da velocidade tal qual tudo ocorre hoje, todos parecem ter se tornado substituíveis ao alcance de um clique e essa liberdade de ser quem somos e amarmos quem nos faz, de fato, felizes coloca novas necessidades em pauta ou, neste caso, uma necessidade que sempre existiu, mas agora se torna ainda mais importante: responsabilidade emocional ou afetiva. Não importando qual das variadas formas de se relacionar, a responsabilidade emocional é que vai ditar o sucesso ou fracasso dessa relação, ou até definir como será a saúde mental dos envolvidos após um possível término cujos motivos não são devidamente expostos a fim de resolver os problemas conjugais.
 

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Antes, é importante dizer o que essa tal responsabilidade emocional NÃO É. Isso porque muitas pessoas consideram erroneamente que é sua a responsabilidade de fazer o companheiro feliz ou infeliz. O que alguém, além de si mesmo, pode fazer é apenas contribuir para a felicidade ou infelicidade do outro e isso vai de acordo com as expectativas levantadas por esse alguém. Certamente, essa confusão já foi motivo de rusgas em qualquer tipo de relação, resultando inclusive em rompimentos, sem que nenhum dos envolvidos levasse à frente o conhecimento necessário para lidar com outra pessoa em sua vida, dando continuidade em um ciclo eterno de expectativas frustradas.
 
É recomendável fazer uso sem moderação da responsabilidade emocional da forma correta que se constitui, em primeiríssima instância, entender o que se sente para só então expor tais sentimentos de forma clara e direta. Esse entendimento deve ser buscado para que suas relações sejam moldadas de verdade e confiança, principalmente a si próprio. Tão importante quanto, essa exposição deve ser feita com igual veracidade, para que a responsabilidade emocional forme as expectativas do outro de acordo com a realidade e não os possíveis devaneios do parceiro. Todo e qualquer indivíduo é responsável por aquilo que externaliza e pelas expectativas que gera sobre exatamente o que foi exposto, apenas. Do outro lado da moeda, é parte dessa responsabilidade tomar as medidas cabíveis para que o parceiro não seja seu provedor emocional, como responsável por sua felicidade, caso contrário, o mesmo viverá em uma prisão de comportamentos pautados no roteiro de suas expectativas, carecendo de satisfação própria em detrimento das suas. Isso pode gerar o que se caracteriza como uma relação abusiva, onde o beneficiário se regojiza dos prazeres de uma relação em que a infelicidade de seu companheiro se faz presente, cujas expectativas não passam de criação própria, em vez de uma relação saudável e madura, consciente dos desejos de ambos e com atitudes que vão ao encontro do bem estar dos indivíduos.
 
relacionamento imagem divulgacao

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De modo deturpado, muitas pessoas se utilizam disso para se eximir de qualquer outra responsabilidade afetiva dentro de uma relação, tornando suas relações líquidas, rápidas e descartáveis ao menor sinal de desentendimentos com seu parceiro. É como se fôssemos ensinados a sempre trocarmos o que está com problema, ao invés de consertarmos e levamos isso aos nossos relacionamentos. Deixamos de ver os valores daquela relação e passamos a viver uma vida de fantasias e imagens irreais como se a vida fosse o que se vê em redes sociais, onde são expostos apenas os momentos positivos de nossas vidas. Sempre haverá alguém mais bonito, com corpo mais trabalhado, com experiências mais atrativas, sempre haverá alguém “melhor” que poderá nos fazer mais felizes que a pessoa com a qual estamos, então vivemos ciclos intermináveis de relações rápidas, “intensas”, vazias e insignificantes.
 
A consciência de quem se é e do que se quer de verdade é tão rara, que é comum estarmos traumatizados a ponto de nos encontrarmos incrédulos com as exposições afetivas do outro, buscando constantemente provas comportamentais de que somos prioridade na vida deste. Ao menos isso ocorre apenas até nos convencermos de que a pessoa pode ser madura em um relacionamento de forma a buscar crescimento e satisfação numa vida a dois, só assim para que possamos todos viver uma relação verdadeira o suficiente para não ser tóxica, frágil e passageira.

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