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Coluna Bruno Baldan: o racismo continua(rá) entre nós

Imagem divulgacao racista branco humilha homem negro
Imagem divulgacao racista branco humilha homem negro

Mais uma semana passou e mais um ato de racismo veio à mídia. Quem é que não viu o ataque de um homem racista a outro, funcionário de delivery de aplicativo que ocorreu nos últimos dias? A resposta é: EU. Pois é! Eu não tive estômago para sequer ver tal vídeo, tampouco entender o que aconteceu e contextualizar o que foi gravado, mas já identifiquei alguns pontos dos quais são extremamente comuns apenas observando a partir do buzz gerado pelo acontecimento e, assim, necessário discutir. Em primeiro lugar, preciso externalizar que, talvez assim como muitas outras pessoas, não está fácil lidar com o que está em tela, afinal, mal me recuperei do caso George Floyd há pouquíssimo tempo onde encontrávamos-nos em uníssono contra os comportamentos racistas e violentos da polícia contra pessoas negras. Ainda me pergunto o que houve com toda aquela indignação, sendo que nada foi feito além de uma ou outra publicação sobre conscientização, mas na vida real o mesmo não surtiu efeito na redução do racismo em qualquer âmbito. Uma prova disso é que, ainda que de forma virtual, desde tal época venho escrevendo sobre assuntos nesse sentido, bem como sociedade e pontos pertinentes, mas a difusão desses ideais se limitaram a poucas curtidas aqui e acolá, além de um ou outro elogio de “bom trabalho”, mas aparentemente sem atingir a consciência que motiva a atitude prática, que é o motivo de existência por trás desse trabalho que venho desempenhando.
 

Imagem divulgacao racista branco humilha homem negro

Imagem divulgacao racista branco humilha homem negro


 
Em mesma problemática, no vídeo que não assisti tem um protagonista que é tão importante quanto os dois debatendo em suas devidas posições…ele é o “isentão”, o incapaz, representando a pessoa comum presente no dia a dia. Tal indivíduo tem um poder relevante em suas mãos, mas não se movimenta para nada. Este é o que se diz triste pela situação do outro, que poderia ajudar, mas não o faz sob a alcunha de ser a pessoa que “não posta muito”, ou a que já vê tanta notícia ruim que se atém apenas a compartilhar uma ou outra mensagenzinha de assuntos parvos, a que usa redes sociais apenas a trabalho, a que possui pessoas em seu círculo que poderiam tomar isso como um manifesto político (o que de fato é), então poderia ter algum tipo de problema com os mesmos, preferindo se abster de compartilhar. É, no mínimo, triste ver o quanto as pessoas se importam apenas para quem se importa e se mantém mudas para quem poderia abrir os olhos. Um tanto quanto desolador perceber que as escolhas em se abster são pensadas no bem-estar das pessoas que compactuam com os ideais racistas, ainda que elas não o façam diretamente. Não surpreende que indivíduos como o do famoso vídeo se sintam à vontade para derramar suas crenças racistas em quem estiver ao alcance.
 
Imagem divulgacao ego redes sociais

Imagem divulgacao ego redes sociais


 
É visível a inércia sobre o tema, de mesma forma a poder observar o quanto as pessoas são alheias ao sofrimento que não as atinge. Ao rolar um feed no Instagram, o mais comum é ver que naquele fatídico acontecimento reinam as fotos pretas com as hashtags #blacklivesmatter e #blackouttuesday, clamando por atenção a essa mudança tão necessária, mas logo após o tema é completamente esquecido, até na ferramenta de stories cuja presença é mais efêmera, provando que um feed repleto de egos a serem massageados possui mais valor que algum tipo de ideologia que conscientize alguém. A imagem preta do 2 de junho não passou de uma autopromoção, cujo efeito era fingir se importar, um tipo de manutenção de perfil para que não caíssem suas curtidas e seguidores, elementos estes que se perpetuam como a moeda mais valiosa do século XXI. O silêncio e falta de atitude de simplesmente usar do seu espaço no dia a dia para poder levar esse tipo de mensagem, fora do calor daquele momento, denota claramente que existe uma politicagem em usar do sofrimento de outras pessoas para sua própria popularidade. A falta de cuidado ao não consumir esses materiais ou deixar de enaltecer as vozes daqueles que expõem tudo isso na tentativa de diminuir essas diferenças raciais são contribuintes dos que praticam o racismo, de fato. Essa contribuição, enquanto apertar de um botão de compartilhar, é tão simples que é impossível não se sentir impotente quando ocorrem esses casos ultrajantes contra nossa existência, mesmo surgindo aí uma grande comoção.
 
imagem divulcacao o poder do like e do compartilhamento

imagem divulcacao o poder do like e do compartilhamento


 
Hoje torço para que continue tendo forças para poder continuar a usar o que tenho em prol de melhorar o mundo, mesmo sendo apenas uma ínfima parte dele. Vivo buscando formas de ver que há relevância e propósito neste trabalho, mas isso recai em um retorno fora de meu poder, de pessoas que outrora julgara empáticas, como uma terminologia de ser muito “humano”. Que humanidade é essa que não se move um mínimo em prol de alguém além de si própria? Vivemos num mundo em que não é mais preciso sair de casa para lutar contra injustiças, então isso só demonstra que esse nunca foi o problema, mas sim a conivência velada de que vivemos num mundo racista, elitista, sem empatia e desunido. Enquanto isso, as consequências para pessoas que cometem tal injúria são brandas, quando aplicadas, e não demora a se provar insuficientes.

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