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Coluna Bruno Baldan: Michelle Obama e suas lições ao mundo

Imagem divulgacao Michelle Obama
Imagem divulgacao Michelle Obama

Muitos de nós sempre se perguntaram como seria viver na Casa Branca. Poucos ainda se arriscaram a imaginar como seria crescer lá e, mais raros ainda, antes das eleições de 2008, como seria a vida da primeira e única primeira-dama negra vivendo no local politicamente mais visado do mundo. Emendado a isso, como teria sido o primeiro encontro do futuro presidente e sua amada? Qual a história por detrás de toda a questão política e de marketing presente na mídia? As perguntas podem ser deliciosamente respondidas no documentário Becoming (em português “Minha História”) da eterna primeira-dama Michelle Obama, disponibilizado pela plataforma de Streaming Netflix. De forma muito humana e empática, essa grande mulher nos brinda com sua história e seus ideais, expondo como foi viver na tão branca Casa Branca pelos 8 anos de mandato de seu marido, o ex-presidente dos EUA Barack Obama.
 
Já devo avisar que o conteúdo desse texto contém spoilers e caso não queira saber da história, vale a pena ver o documentário antes e posteriormente relembrar aqui as lições que essa mulher nos brinda.
 

Imagem divulgacao Michelle Obama

Imagem divulgacao Michelle Obama


 
Um dos primeiros questionamentos ao fim de 2 mandatos presidenciais é “e agora? Como é voltar ao que era antes?”. Ao passo que Michelle categoricamente responde “não existe ‘voltar’ ao que era”, temos a compreensão de que a vida deste casal nunca mais será a mesma depois do evento que é presidir uma das maiores potências econômicas do mundo. O que acontece depois disso é uma série de eventos menores, que há muito tempo já desconsiderara a privacidade e o anonimato da família, deixando de ser Michelle e Barack Obama, passando a ser para sempre a primeira-dama e o presidente. Com sua história de vida contada, Michelle nos mostra como esse passado ocorreu e que ainda tem muito a ensinar ao mundo sobre força, classe e determinação, garantindo a admiração de todos que a ouvem contar tais aventuras.
 
Advogada formada por Harvard, a universidade mais prestigiada de direito, teve de ter sua capacidade desmerecida na universidade de Princeton, tempos antes, ao ouvir que o curso não era para ela, pela, então, garota não ser boa o suficiente para exercer o papel. Anos depois é impossível perceber que quem proferiu tal afirmação não poderia estar mais equivocado, não só por Michelle ser esposa do primeiro presidente negro dos EUA, mas pela grande mulher que se tornou. No documentário, podemos acompanhar de perto o momento em que Michelle e Barack se conheceram e ao proferir sua resistência em querer se envolver por serem “os 2 negros de Harvard”, quando ela era a tutora do garoto transgressor de espírito e sonhos gigantescos, é possível notar muito claramente a exclusividade de estarem ali. Diante de tamanha ambição, intimidar-se perante a uma pessoa assim seria algo muito comum, mas já vemos uma garota tão grande quanto, ao ouvi-la bradar e se recusar a ser um acessório dos sonhos deste homem. É de se admirar vê-la lutando para acompanhar seu parceiro, ao invés de apenas assisti-lo enquanto vislumbra sua ascensão política e popular. Nesse processo são exibidas cenas de Michelle fazendo o que fosse para que estivesse junto a seu marido, contribuindo ativamente para que isso viabilizasse a campanha e vitória do mesmo ao fim disso tudo. Ainda com o nascimento de suas filhas, o casal teve um período de turbulência do processo como um todo, necessitando de ajuda psicológica naquele momento, mas a retomada dele é que os fez ainda mais fortes, mostrando que a união e a forma como se reergueram é que tornou todo o sonho possível.
 
Imagem divulgacao Minha Historia

Imagem divulgacao Minha Historia


 
Durante as campanhas presidenciais, os ataques da mídia julgaram Michelle como o ponto frágil, tudo devido à sua fala perante o público, sempre expondo de acordo com seus sentimentos, sendo usada pelos tabloides para enfraquecer os projetos propostos e desvirtuá-los como se fosse uma resposta ao racismo que sempre imperou no país. Isso valida a afirmação de que racistas temem que os tratemos da forma eles nos tratam. Ao notar esse uso de suas palavras, ela fortaleceu seu discurso permitindo-se ser podada para que não soasse como uma afronta aos brancos, ainda que estivesse apenas se expressando em relação às dores que sempre viveram por serem negros, demonstrando que a humildade pode nos levar adiante. Não o bastante, Michelle teve toda a estrutura familiar que lhe ajudou a se tornar cada vez mais capacitada para escalar essa montanha. Sua mãe retrata se lembrar de ouvi-la tocar uma música no piano, quando mais nova, repetidas vezes, até a melodia sair perfeita com todo seu incentivo e encorajamento.
 
Imagem divulgacao campanha presidencial EUA

Imagem divulgacao campanha presidencial EUA


 
Uma vez na Casa Branca, Michelle relata a pressão de serem a primeira família negra ao poder e, ainda mais como mulher, a pressão para não errar que lhe caía aos ombros. Buscava sempre observar algum sinal de que estavam progredindo com suas ações e deixando que todo o trabalho que desempenharam se sobrepusesse às mentiras sobre seu governo expostas em alguns dos maiores jornais do país. O foco de sua administração sempre foi destacando o poder das palavras de alguém de sua importância, fazendo-se lembrar de onde vieram e de todo o preconceito que outros negros ainda sofriam longe das paredes daquela imponente casa, através de discursos de esperança e paz tão necessários e isso deixa claro que ela teve um grande papel nisso. Uma das comparações mais emblemáticas nesse sentido são as imagens da Casa Branca nas cores da bandeira LGBT durante o mandato Obama, demonstrando total apoio à paz e à igualdade promovendo inclusão, versus recentes protestos contra o racismo na gestão Trump, sem necessidades de maiores explicações.
 
Imagem divulgacao Casa Branca gestao Obama x Trump

Imagem divulgacao Casa Branca gestao Obama x Trump


 
Como última lição a nos passar, Michelle conta que, beirando os 60 anos, ainda vê muito trabalho e oportunidade para se reinventar pela frente com seu desejo de inspirar jovens a viver uma vida com mais significado a começar pelo livro originário e de nome homônimo a esse documentário, buscando a retomada e o controle de sua vida. Isso pode ser visto quando ela desafia jovens, em uma reunião exclusiva, a dizerem quem são eles como pessoas e não como profissionais ou conquistas, como o que gostam de fazer e com o que se importam na vida. Questões essas que devíamos sempre manter em mente para que não nos definíssemos como meras estatísticas, mas sim como humanos. E assim, ela nos mostra que está realizando seu sonho de inspirar pessoas, suportando a ideia de que o caminho para a paz muito provavelmente venha da união de diferentes passados buscando um objetivo comum, encerrando a obra exibindo belos relatos de diversidade com várias pessoas dos mais variados estilos e histórias de vida impactadas por seu trabalho e seu espírito.
 
Confira o filme documental Minha História em Netflix.com ou através do livro Minha História na sua livraria favorita.

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