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Coluna Bruno Baldan: Crônicas negras e a objetificação dos corpos

Michael B Jordan

Adjetivos dos mais diversos podem descrever as características marcantes da beleza negra, mas existe sempre um padrão físico descrevendo como o porte ideal e as grandes proporções que definem a aceitação de tal persona. Sempre estigmatizadas como as donas de coxas, busto e lábios avantajados, contando com uma cintura fina, a partir desse modelo globeleza de estrutura corporal a mulher negra se vê nesse emaranhado de expectativas sobrepujando suas capacidades de atingi-la, na maioria das vezes. Tal beleza se vê escravizada no que a define como um perfeito modelo objetificado, onde os limites de sua presença restringem-se à cama e não ao lado de seu parceiro. De mesma forma, no lado oposto, o homem carrega tais expectativas por um grande porte, sempre másculo e forte. Desde a escravidão, as formas os definem por conta do trabalho à época e de suas estruturas mais parrudas para aguentar o fardo.
 
Obviamente isso não é um requisito inerente apenas aos negros, mas os impactos disso tudo são o que os limitam a algumas questões relacionais além sexo. Por várias vezes tanto o homem como a mulher negra é restrita à relação sexual apenas, tudo por conta dessa objetificação geral da sociedade. Isso demanda muito esforço para sair dessa rota de objetificação e se provar bons parceiros para a vida, também, e não somente para o espectro sexual, não estando atrelado a essa dicotomia de ou serve ao apetite sexual ou não possui serventia alguma. Ainda assim, entrando numa contradição de difícil explicação, as estampas dos desejos gerais na indústria pornográfica são, em maior parte, de pessoas brancas, loiras e de olhos azuis, mantendo as preferências étnicas apenas aos desejos sexuais mais vorazes.
 

Michael B Jordan


Minoria dentro de minoria o campo se mostra ainda mais minado nas tentativas de relações LGBT, onde o prazer dita as relações como passíveis de serem levadas adiante ou não. Apresentando superficialidade o bastante para que o gay afro encontre dificuldades ainda maiores na busca por parceiros, seu sucesso está atrelado às características esperadas deste ter o padrão de sempre como grande membro genital, masculinidade presente, estilo puxado para o malandro e outras. Redes sociais afora, os comentários mais comuns são os mais diretos possíveis em direção à exaltação desses padrões, além das clássicas piadas contra o negro que sempre se fizeram presente, exagerando sempre nos aspectos marcantes do mesmo.
 
Jorge Lafond (Foto: Divulgação/SBT)

Jorge Lafond (Foto: Divulgação/SBT)


Acontece que na vida real, a diversidade se faz muito presente e com isso, os que fogem desse estereótipo são os que mais sofrem com as consequências de, mesmo como parte do mundo LGBT, estes sentem ainda mais dificuldade no quesito pertencimento por se tornar um ambiente por vezes hostil e excludente. Tais se sentem reféns da expectativa irreal de terceiros perante suas preferências sexuais, porte e isso dificulta encontrar o famigerado par perfeito, quando se fala do gay negro, passivo e/ou afeminado, que pode ser o amigo, mas não pode ser o parceiro. Estigmas como este assolam a vida de muitos, ainda que não seja uma regra geral, é preciso considerar como nossas frases seguem atingindo esta e outras parcelas da população.
 
A mensagem que deve ser levada a todos hoje, dia do orgulho LGBT, é de que todos nós somos parte disso e não só os estereótipos padrões de beleza. Todos nós lutamos por essas e outras pessoas, também. Esse é o dia para lembrarmos que já sofremos perseguições demais e, o gay negro e afeminado, bem como a lésbica negra masculinizada e tantos outros, também têm seu direto à vida da forma que quiserem, sem perseguições, sem terem de provar nada a ninguém e livres para sermos felizes em união e diversidade. Viver em sociedade é isso, é viver sem atingir o bem-estar do outro, é usar da voz para fazer ouvir o mais fraco, é usar política para prover o bem a todos, sem que a injustiça prive qualquer um de seus direitos, principalmente o da vida.

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