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Coluna Bruno Baldan: Convivência em tempos de quarentena

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Há muito tempo me perguntei como seria uma vida dentro de casa, inclusive, como seria trabalhar via home office em tempo integral, uma vez que por motivos diversos optei por fazê-lo e tive bons resultados. 2020 está aqui para responder a essa e outras perguntas das quais nunca me fiz sobre não só o trabalho em casa, mas também a privação de contato interpessoal em outras esferas da vida, como na vida pessoal. Sempre fui alguém sociável, de contato, de proximidade, então logo no início dessa questão toda trazida pelo COVID19, me ver privado de estar entre pessoas para fins profissionais ou outros tem sim certo peso, como para muitas pessoas. O receio de contato com as pessoas sob o risco de contrair o vírus virou o mundo de cabeça para baixo e isso trouxe a tona N questões de quem somos e o valor de quem está à nossa volta. Todo esse tempo disponível traz consigo uma intensidade psicológica iminente, de forma a maximizar e expor da forma mais visceral nossos sentimentos perante nossas relações, como lidamos com elas e como muitas delas nos definem no dia a dia em algumas questões.

Em primeira instância é possível rever muitas das nossas relações com terceiros e colocá-las sob uma lupa a fim de identificar como cada pessoa nos gera sentimentos únicos, tornando mais visíveis os benefícios e malefícios de cada interação e o significado que cada indivíduo possui. O estreitamento dessas relações tende a ser um grande divisor de águas para definir quem queremos em nossas vidas deste momento em diante, da mesma forma que o convívio intenso é responsável por evidenciar quem já está presente, mas que se responsabiliza por gerar um convívio não muito saudável. É a partir da saudade do convívio e das tentativas de contato com aqueles que nos trazem paz e alegria que temos a percepção do valor das pessoas pelas quais sempre tivemos apreço e não tínhamos nos permitido parar e refletir na importância dos mesmos. Essa troca de energias positivas vêm do sorriso no canto da boca, meio que sem querer, sob a luz daquela memória que outrora já nos fez um bem danado, ou quando recebemos aquela mensagem ou ligação dos entes queridos. Essas relações nos fortalecem, nos dão força para que continuássemos em isolamento, ainda que ansiosos pelo reencontro. É a partir disso que mantemos nossa saúde mental e nosso equilíbrio para suportar tamanha solidão nesses tempos sombrios.

Demandando muita atenção e esforço para evitar possíveis problemas psicológicos, no lado oposto, estão as relações por vezes tóxicas cuja intensidade do convívio maximizou seus malefícios e dificultou a proximidade afetiva, ainda que física. Essas desavenças tendem a depositar uma grande pressão nos envolvidos, de forma a causar em muitas vezes crises de ansiedade e síndrome do pânico, já alertado como riscos por médicos em matérias de março deste ano. Perceber-se em um relacionamento falido e se ver obrigado a se manter de forma próxima e íntima é capaz de transformar tudo aquilo que foi construído ao longo dos anos em meros passatempos, tornando essa mesma relação em um emaranhado de insatisfações e cada vez se tornando mais pesado e difícil. Com toda a situação de “prisão domiciliar” da atualidade, é extremamente difícil tomar a atitude de separação daquilo que não mais faz sentido, mais uma vez aumentando os riscos de ansiedade supracitados. Aliado a isso, é amedrontador pensar que em muitos lares, pessoas residem com seus agressores, sendo estes de forma velada ou explícita, estando sujeitas a males ainda piores. Está aí o motivo de alguns casos de permanência constante fora de casa, em tempos normais, para que os ataques dos mal intencionados não surtam tanto efeito. Isso, como sendo uma das medidas vetadas com os cuidados ao vírus, fez com que as pessoas se relacionassem muito mais de forma virtual, o que permitiu e fortaleceu a criação de bolhas sociais. Cada bolha social é formada por pessoas de mesma ideologia ou experiência de vida, unidas por meio de redes sociais, que possibilitam o convívio de acordo com algaritmos funcionando para juntá-las. Para os extremos bem e mal, essas bolhas sociais colocam frente a frente pessoas que passam pelas mesmas situações, tendo o poder de fortalecer quem precisa de ajuda e que sofre com seu agressor dentro de casa, mas também tem o poder de fortalecer o agressor, juntando-o a outros de mesma ideia em sua própria bolha, perpetuando a violência que praticam. Em suas devidas bolhas, o convívio mais frequente com seus pares permitiu que cada pessoa seja amparada em sua jornada e assim fortalecer seus pilares para mais um dia dessa interminável quarentena.

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Por último e muito mais importante, o período nos permitiu perceber o convívio próprio. Como nos tratamos, como nos cuidamos e como somos permissivos com as nocividades alheias. Esse olhar para dentro de nós, até como experiência própria, possibilitou uma compreensão maior de quem somos, afinal, foi muito tempo dedicado a outras pessoas e outras relações, arranjando desculpas e mais desculpas para não olharmos para si próprios temendo encarar as falhas que tentamos esconder. Cada um com seu jeito de fugir disso, cada um com seu vício como barreira para não se enxergar. Esse convívio tão íntimo tem sido negligenciado através de relações com terceiros, talvez até nas relações tóxicas citadas anteriormente, para que não nos percebamos solitários e, em inúmeras vezes, que somos nós mesmos os responsáveis por nos fazer muitos dos males que sofremos. Nos sabotamos, procrastinamos, percebemos que em nossas áreas de atuação ainda temos muito o que aprender, nossa mente automaticamente se encarrega de fazer uma retrospectiva indicando que, em comparação com outras pessoas, estamos aquém de conseguir tudo aquilo que sonhamos e lutamos. Buscar o equilíbrio deve ser mais constante que nunca, não para que alcancemos os sonhos nossos ou da sociedade, mas sim do nosso bem-estar emocional. Encarar quem somos e nossas fraquezas pode ser algo doloroso, mas toda dor é mais facilmente curada quando encarada sem rodeios para ser entendida e, a partir daí, erradicada. Para que essas questões que tanto nos incomodam e nos impede de alcançar nossos desejos sejam minimizadas e eliminadas é hora de planejar o que fazer para que nosso convívio consigo mesmos seja mais harmônico. Identifique os pontos positivos para enaltecê-los, os negativos para traçar as mudanças necessárias e agir de acordo com o que será o primeiro dia do resto de sua vida. Para ajudar, o momento atual, mais que nunca na vida, tem nos provido tempo de sobra para toda essa reflexão e início de uma grande mudança rumo ao bem estar e evolução individual.

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